quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A educação dos filhos





O fator mais importante na educação é conquistar os filhos



Há alguns anos a polícia de Houston, no Texas, Estados Unidos, publicou o que
 chamou de “Dez Regras Fáceis de Como Criar um Delinquente”.

 É interessante refletir sobre elas, especialmente os pais e os educadores. 
Para isso, vamos transcrevê-las:

1. Comece na infância a dar ao seu filho tudo o que ele quiser. 

Assim, quando crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe
 dar tudo o que ele deseja.


2. Quando ele disser nomes feios, ache graça. Isso o fará considerar-se

 interessante.



3. Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa.


 Espere até que ele chegue aos 21 anos, e “decida por si mesmo”.


4. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas. 


Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda

 a responsabilidade.


5. Discuta com frequência na presença dele.


 Assim não ficará muito  chocado quando o lar se desfizer mais tarde.

6. Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser.


7. Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto. 


Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.


8. Tome partido dele contra vizinhos, professores, policiais 


(Todos têm má vontade para com o seu filho).
9. Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa:


 Nunca consegui dominá-lo.
10. Prepare-se para uma vida de desgosto.

Sem dúvida, esta é uma lista, fruto da experiência de quem trata com jovens 


“problemáticos” e que não pode ser desprezada. Fica cada vez mais claro 

que o aumento da delinquência juvenil é diretamente proporcional à 
destruição dos lares e das famílias. É muito fácil verificar que, na

 grande maioria dos casos, o “jovem problema” tem atrás de si “pais problemas”.


A vida familiar é o “arquétipo” que Deus instituiu para o homem viver e ser 



feliz na face da terra.
Quanto mais, portanto, as santas leis de Deus, em relação à família, forem 


desrespeitadas e pisadas pelos homens, tanto mais famílias destroçadas

 teremos, e tanto mais lágrimas rolarão dos olhos dos pais e dos filhos.

 Ninguém será feliz sem obedecer às leis de Deus. 

Antes de serem leis divinas elas são leis naturais. 

E a natureza não sabe perdoar quem se põe contra ela.


No capítulo 30 do Eclesiástico, a Palavra de Deus fala


 aos pais sobre a sua enorme responsabilidade na educação dos filhos. Ele diz:

 “Aquele que ama o seu filho corrige-o com frequência,

 para que se alegre com isso mais tarde” ( 30,1).


Infelizmente são muitos os pais que não corrigem os seus filhos: 


ou porque são relapsos como pais ou porque também precisam de correção, 

já que também não foram educados.


Mais à frente esse mesmo livro diz: 


“Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (30,7). 

Essa palavra é pesada: “estraga com mimos”. A criança mimada torna-se problema;

pensa que o mundo é dela e que todos devem servi-la.

 Não há coisa pior para um filho.

 Isso ocorre muito com o filho único, objeto de “todas” as atenções 

e cuidados dos pais, avós e tios. Aí é preciso uma atenção especial!


“Um cavalo indômito torna-se intratável, a criança entregue a si


 mesma torna-se temerária” (idem 30,8).


Não pode haver mal maior do que deixar uma criança abandonada, 


materialmente, mas principalmente na sua educação.


“Adula o teu filho e ele te causará medo”, diz o Eclesiástico (30,9).



“Não lhes dê toda a liberdade na juventude, não feches os olhos sobre as suas 


extravagâncias” (idem, 30,11).


Muitos pais, vendo os filhos errarem, não os corrigem. 


Temos que ensiná-los a usar a liberdade com responsabilidade. 

E não lhes dar “toda” liberdade.


VI certa vez uma frase, em um adesivo de automóvel, que dizia: 


“Adote o seu filho, antes que o traficante o faça”. 

De fato, se não conquistarmos os nossos filhos com amor, carinho e 

correção sadia, eles poderão ir buscar isso nos braços de alguém que não convém.

 É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja

 levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência... fora de casa.


O fator mais importante na educação é que os pais saibam conquistar os filhos;


não com dinheiro, roupa da moda, tênis de marca, etc, mas com aquilo que eles são;

 isto é, a sua conduta, a sua moral íntegra, a sua vida honrada e responsável. 

O filho precisa ter “orgulho” do pai, ter “admiração” pela mãe, 

ter prazer de estar com eles, ser amigo deles. 

Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correções com facilidade.


Sobretudo é primordial o respeito para com o filho; levá-lo a sério, 


respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas, etc. 

Se você quer ser amigo do seu filho, 

então deve tornar-se amigo dos seus amigos e nunca rejeitá-los. 

Acolha-os em sua casa.


Diante dos filhos os pais não devem ser super-heróis que


 nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais

 também erram e que também têm o direito de ser perdoados.

 E, para isso, os genitores precisam aprender a pedir perdão para 

os filhos quando erram. Não há fraqueza nisso, e muito menos

 isso enfraquecerá a autoridade deles de pais. 

Ao contrário, diante da humildade e da sinceridade dos pais,

a admiração do filho por eles crescerá. 

Tudo isso faz o pai “conquistar” o filho.


O educador francês André Bergè diz que os defeitos dos pais são 


os pais dos defeitos dos filhos. Parafraseando-o podemos afirmar

 também que as virtudes 

dos pais são os pais das virtudes dos filhos. Não é sem razão que

 o povo afirma que filho de peixe é peixinho. Isso faz crescer a nossa 

responsabilidade.

É importante que os pais saibam corrigir os filhos adequadamente, 

com firmeza é certo, mas sem os humilhar. Não se pode bater no filho, 

não se pode repreendê-lo com nervosismo nem o ofender na frente 

dos amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais. 

Conquiste o filho, não com dinheiro, mas com amor, vida honrada e 

presença na sua vida. E, sobretudo, leve-o para Deus, com você! 


São Paulo diz aos pais cristãos:

“Pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, 


mas criai-os na disciplina e correção do Senhor” (Efésios 6,4).

Felipe Aquino
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